Ícaro e armas no céu – O sonho de Ícaro custou caro,...

Ícaro e armas no céu – O sonho de Ícaro custou caro, afinal

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Ícaro e armas no céu - O sonho de Ícaro custou caro, afinal

Ícaro e armas no céu – O sonho de Ícaro custou caro, afinal
No dia 28 de novembro, com a queda do avião da companhia boliviana Lamia, transportando o time e a comissão técnica da Chapecoense, além de jornalistas, repórteres e dirigentes, voltamos a refletir sobre a segurança de verdadeiras armas que, lá do alto, oferecem riscos para todos nós.
Viajando a uma parte longínqua da história, mais precisamente em 1937, lembramo-nos do trágico acidente com o Hindenburg, mais conhecido por Zeppelin, o maior dirigível da história construído pela indústria alemã e até hoje considerada a maior máquina a sobrevoar o céu. Apesar de na época já existir o gás hélio, menos perigoso porém oneroso, o Zeppelin foi inflado com hidrogênio, uma substância altamente inflamável. Com o acidente, das 97 pessoas a bordo, 62 foram resgatados, porém, entre tripulantes e passageiros, além de um técnico no solo, 36 pessoas foram a óbito.
Fruto de um sonho grandioso, Zeppelin é um exemplo de um longevo símbolo em diversas épocas e narrativas: a ideia do homem ter a chance de voar.
Personagem da mitologia grega, Ícaro, com ajuda do pai, fez dois pares de asas com cera de vela e penas de gaivota para que ambos pudessem escapar do labirinto onde estavam presos. No entanto, Ícaro, ignorando o conselho do pai, voou na direção do sol e a cera derreteu, fazendo com que ele caísse no mar Egeu e falecesse.
O sonho de Ícaro foi compartilhado também pelo homem, e então realizado. Santos Dumont construiu o famoso 14-bis baseando-se neste anseio humano. Decepcionou-se por ver seu invento utilizado para fins militares. Depois disso, a indústria aeronáutica não parou mais de crescer. Hoje, o homem consegue asas através dessas máquinas. Alto, rápido, instantâneo.
Mas as máquinas de voar ainda não foram preparadas para oferecer segurança em sua totalidade a passageiros e tripulantes.
Pode-se observar que sempre que um avião de grande porte sofre uma queda, ou ele explode pelo choque de tanques de combustíveis imensos e altamente inflamáveis, ou transforma-se em destroços. Como no triste acidente do último dia 28: sem combustível, o avião arremessou-se rumo ao nada.
Em 1937, a tecnologia favorecia um método seguro que foi menosprezado. Desta vez, com combustível insuficiente, por imprudência do comandante da aeronave boliviana, 71 pessoas tiveram seus sonhos interrompidos. Avião não foi projetado para cair, e Santos Dumont já sabia disso. Porém, o lucro e a ganância humana sobrepuseram-se.
Por uma despesa ínfima, não contabilizada por irresponsabilidade, não houve outro destino senão uma tragédia sem precedentes.
Entre um dirigível de 1937 inflado com hidrogênio e uma aeronave com tanques vazios, sobram a tristeza e o sentimento de indignação. O sonho de Ícaro custou caro, afinal.

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